8.8.11
'' ... não te esqueças, amor, que os pequenos anjos precisam de se tornarem diabos, precisam de pisar o inferno, precisam de sofrer para dar valor às asas que têm, à sorte com que nasceram de poder voar, sem nunca pisar ninguém. Não te esqueças que o amor não é de sorrisos extremos. Que o amor não resulta se o desejo ultrapassar a cumplicidade, nem se deixares de atender chamadas a meio da noite por desconfiança. Lembra-te que a vida tem voltas, e voltas, e voltas. E tudo volta, tudo fica, tudo vai. Tudo se parte, tudo toma rumo. Tudo faz rir, ou tudo faz chorar. Lembra-te de amar a vida e aprender com ela e contigo. Aprende contigo que a felicidade vem sobretudo de ti, dos teus olhos a sorrir, das tuas noites sem dormir –apaixonado. Lembra-te que vais ter sempre quem te limpe a cara e peça para não chorar, lembra-te que não te deves culpar tanto. Lembra-te de me sorrir, meu amor. O meu coração fica do tamanho da areia, e eu construo sempre os palácios perto do mar, e rápido são sugados pela água. Selvagem. E eu doce. Com medo. Encolhida. Com interrogações. Eu sem nada, eu com tudo. Eu vazia. Eu: um traste. Eu feliz. Eu sozinha. Eu desaparecida. Eu fugitiva. Eu nunca mais. Nunca mais. Lembra-te de mim, por favor, não te esqueças tanto de mim. Não te esqueças tanto de ti. '' - disse-lhe por fim.
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escrito pela Sónia ' às
03:47
6.8.11
Sabes o que é ter todas aquelas inseguranças a consumirem e a devorarem toda a consciência que ainda te resta? Conheces a Incerteza? Eu sei de cor a sua melodia. Sei as suas consequências e ainda tudo o que dela advém . Conheço-a suficientemente bem para saber que jamais abandonar-me-á. Arrastar-se-á comigo para o resto a vida, tornando-se, em conjunto com o Silêncio, nos meus melhores amigos. Enquanto que a Incerteza me deixa escolher sempre o caminho a seguir, o Silêncio dá-me toda a reflexão que necessito para traçar tal destino. E o mais saudável disto tudo é que não me traem, e nem sequer me desiludem. Não dão tempo da Confusão se instalar e sabes porque? Porque acabo sempre por não escolher. Sim, odeio Escolhas, odeio-as por completo. Teimam em afastar toda a Certeza que por momentos pensei quer me fosse fiel…
E é assim que se vai, e é assim que se evapora a mais lúcida personagem que alguma vez criei... Porque tudo não passa de um desequilíbrio sensorial que carrego dentro de mim e que impede a Certeza de se instalar e de se acomodar dentro da minha vida. Sim meu anjo, é assim.
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escrito pela Sónia ' às
00:31
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