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18.9.11

umdê e umése



Podiam simplesmente ficar assim; intactos e serenos. Não interessava onde, não interessava quanto tempo teriam de se aturar um ao outro nem quanto tempo teriam que ficar calados. Eram discretos, nada com intimidades demasiado expostas até porque com um simples sorriso encaixado e um olhar perfeito se completavam. Ela alinhava. Ela ficava seja onde fosse com ele, até que a vontade de ir embora lhes batesse à porta. Ele não se importava de ficar calado até porque eram os silêncios durante horas que os uniam. Não era preciso explicar, eles sentiam.
Falar pouco seria então uma virtude, não era preciso 24 horas sob 24 horas juntos, bastava um passo apressado, um batimento alterado, um toque de pele, um beijo na testa, uma última vez olhar para trás, um desejo às estrelas e era o idealizado com o realizado.

28.8.11


Já nem falo em ti, mas sim nos teus restos. Nos cacos partidos que deixas-te cá dentro. Nas promessas falhadas que cá ficaram gravadas.

8.8.11


'' ... não te esqueças, amor, que os pequenos anjos precisam de se tornarem diabos, precisam de pisar o inferno, precisam de sofrer para dar valor às asas que têm, à sorte com que nasceram de poder voar, sem nunca pisar ninguém. Não te esqueças que o amor não é de sorrisos extremos. Que o amor não resulta se o desejo ultrapassar a cumplicidade, nem se deixares de atender chamadas a meio da noite por desconfiança. 
Lembra-te que a vida tem voltas, e voltas, e voltas. E tudo volta, tudo fica, tudo vai. Tudo se parte, tudo toma rumo. Tudo faz rir, ou tudo faz chorar. Lembra-te de amar a vida e aprender com ela e contigo. Aprende contigo que a felicidade vem sobretudo de ti, dos teus olhos a sorrir, das tuas noites sem dormir –apaixonado. Lembra-te que vais ter sempre quem te limpe a cara e peça para não chorar, lembra-te que não te deves culpar tanto. Lembra-te de me sorrir, meu amor. O meu coração fica do tamanho da areia, e eu construo sempre os palácios perto do mar, e rápido são sugados pela água. Selvagem. E eu doce. Com medo. Encolhida. Com interrogações. Eu sem nada, eu com tudo. Eu vazia. Eu: um traste. Eu feliz. Eu sozinha. Eu desaparecida. Eu fugitiva. Eu nunca mais. Nunca mais. Lembra-te de mim, por favor, não te esqueças tanto de mim. Não te esqueças tanto de ti. '' - disse-lhe por fim.

30.7.11




O teu mundo
É desesperadamente prático.
Tudo está feito
À medida,
Formatado
E dois mais dois
São sempre quatro.

O teu mundo
É desesperadamente prático,
A hipotenusa
Nunca dormiu ao luar
E os catetos
Nunca tocaram
A harpa da loucura
Nem entoaram cânticos de amor...
Nunca o grito gritou
E o chão é só para caminhar.
O som
Foi sempre grave ou agudo
E no dia
Há só
Manhã e tarde.
Esqueceste a noite
Com o propósito
De não te magoares.

O teu mundo é desesperadamente diferente do meu. Mas então, meu amor, onde nos podemos encontrar ?

13.7.11



Fiz de ti o meu rei. Dei-te o coração como ceptro. E como trono o meu corpo para te reclinares cada vez, todas as vezes, que precisares de mim. Desfolharei flores de todas as cores para forrar o chão que pisas cada vez, todas as vezes, que caminhas para mim. Teci com fios de luz o manto que te dei para te abraçar cada vez, todas as vezes, que te lembras de mim.

Ninguém sabe que és rei, por não seres um rei qualquer. Tens o ceptro do amor, o trono da paixão e o manto da temperança. Só tu, só eu. Somente tu e eu e este amor que nos sustenta e nos agarra e nos prende a este lado da vida.

12.7.11


As pernas ainda me tremem sempre que falamos, sempre que me sorris com esse jeito malicioso e me olhas com metade do cabelo á frente dos olhos. Sim, arrepio-me quando me abraças e sempre que a tua barba raspa nos meus lábios. - Não dizes então que sou a mulher da tua vida ? Pois, se sou, sou uma daquelas mulheres frágeis. Frágil por continuar ainda aqui a fazer-me amar por ti em cada resto de noite e a cada manhã que se levanta.

E o melhor no fim de tudo é saber que valeu a pena. Sim amor, valeu a pena ser frágil entre o teu corpo quente e doce perante a tua pele salgada.

10.7.11


Há dias em que cheiro a cigarro, outros a perfume e mais uns outros em que simplesmente cheiro a doce de amora. Hoje trata-se daqueles dias em que já não cheiro ao teu cigarro, nem ao teu perfume, nem á vida que me deste. Estou congelada e agarrada á tua lembrança. Tornei-me de tal maneira num cubo de gelo que nem o próprio sol tem calor suficiente que chegue para me aquecer. Se cair parto-me e derramo toda a água contida dentro de mim. Aí o chão ficará molhado, o que tornará a minha persistência em querer ficar lá no alto num fracasso. Não, eu não quero escorregar e cair novamente por cima desta água proveniente do meu mais intimo choro. E se me perguntares como cheira a água, dir-te-ei que já não me recordo, porque o cheiro das lágrimas deixou de fazer sentido a partir do momento, em que o meu dia-a-dia não é traçado por um restinho do teu perfume..

8.7.11


sentir que '' foi melhor assim'' sabe a arrependimento .

25.5.11


se eu não pensar sobre o meu futuro ? não terei um.
e tu ?  és o meu futuro, a minha melhor direcção .

23.5.11


caminhavas.
caminhavas em passo largo,
ritmado
na procura
da água da fonte,
do vento Norte,
e da estrela polar.
no limite do Horizonte,
continuavas a caminhar,
para que a razão te devolvesse o tempo
e te emprestasse
um espaço
onde pudesses esgavatar o sonho,
remexer o encanto
e encontrar
uma réstia de luar.

caminhavas, com a pressa do vento,
no silêncio do Pensamento.
caminhavas com a força da vontade,
no risco da Verdade.

caminhavas. procuravas. sonhavas, junto a mim

18.5.11


uma estrela cadente caiu do teu coração e desembarcou nos meus olhos.
gritei em voz alta, enquanto ela os rasgava. deixou-me cega. sem reacção.
as estrelas, a lua, todas elas explodiram.
deixaste-me no escuro. onde não há madrugada, não há dia.
e eu estou sempre neste crepúsculo: - na sombra do teu coração
- tudo isto para chegar á conclusão que amar-te é, por vezes, muito perigoso
.