7.5.11

 
   O telémovel estava a tocar. foi a primeira coisa que pensei. a segunda foi que o braço nu do Jasm estava sobre o meu peito. a terceira foi que o meu corpo estava frio no sitio aonde os cobertores não chegavam . pestanejei para tentar acordar, estranhamente desorientada no meu próprio quarto. demorei algum tempo a perceber que o mostrador geralmente brilhante do meu despertador estava ás escuras e que as únicas luzes que haviam eram a do luar que entrava pela janela semi-aberta e a do ecrã do telemóvel a tocar. Pus uma mão de fora para lhe pegar, tendo o cuidado de nao perturbar o braço do Jasm sobre o meu corpo; e quando finalmente consegui agarrar-lhe, este já tinha parado de tocar. restou: uma chamada não atendida. os meus olhos mal conseguiam ver qual o nome do autor desta barulheira toda, estavam demasiados cansados para tal, e eu, pouco me preocupei. tornei a puxar cuidadosamente os cobertores e descobri-o aninhado em mim, com a cabeça encostada ao meu lado e apenas a curva pálida e nua dos seus ombros visível sob a luz ténue que nos iluminava.
Estava constantemente a querer achar aquilo errado: o seu corpo encostado ao meu, mas sentia-me tão viva que o meu coração batia descompassadamente. era isto, o Jasm e eu, a minha verdadeira vida.
   Na manhã depois de eu e o Jasm termos contemplado a noite juntos, parecia que a ideia que dominava o meu estado de espirito era que os nossos pais não faziam a menor ideia. achei que era normal. achei que era normal sentir-me um pouco culpada. achei que era normal aquela sensação de vertigem. era como se sempre tivesse pensado que eu era um quadro completo, e o Jasm me tivesse revelado que afinal eu era um puzzle e me tivesse separado em inúmeras peças , e voltando a juntá-las. Estava profundamente consciente de cada emoção diferente que sentia, todas elas perfeitamente encaixadas umas nas outras. Jasm também estava em silêncio. tinha deixado que fosse eu a guiar e segurava a minha mão direita entre as suas, enquanto eu guiava com a outra. era capaz de dar um milhão de euros para saber o que ia a pensar.
- o que queres fazer hoje à tarde ? - perguntei por fim.
Ele olhou pela janela, deslizando os dedos pelas costas da minha mão. o mundo lá fora parecia seco, feito de papel. olhou na direcção dos meus olhos e sussurrou:
- amar-te !   ''             
                                                                                                                -  [m.s]

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