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18.9.11

umdê e umése



Podiam simplesmente ficar assim; intactos e serenos. Não interessava onde, não interessava quanto tempo teriam de se aturar um ao outro nem quanto tempo teriam que ficar calados. Eram discretos, nada com intimidades demasiado expostas até porque com um simples sorriso encaixado e um olhar perfeito se completavam. Ela alinhava. Ela ficava seja onde fosse com ele, até que a vontade de ir embora lhes batesse à porta. Ele não se importava de ficar calado até porque eram os silêncios durante horas que os uniam. Não era preciso explicar, eles sentiam.
Falar pouco seria então uma virtude, não era preciso 24 horas sob 24 horas juntos, bastava um passo apressado, um batimento alterado, um toque de pele, um beijo na testa, uma última vez olhar para trás, um desejo às estrelas e era o idealizado com o realizado.

4.9.11

nada mudou.



Tudo está em seu lugar!
Até parece que o tempo se esqueceu
De ser tempo
De cumprir o calendário.
As noite deram lugar aos dias
E os dias guardaram
O tempo das noites.

Nada mudou
Tudo está em seu lugar.
O mesmo sorriso em tua boca
Eu vejo.
A serenidade do teu olhar
Eu sinto.
A doçura que trazes no peito
Eu pressinto.
As tuas mãos
Delicadas,
Brancas,
Macias,
Tocam-me do mesmo modo
Do mesmo jeito,
Como a noite ao encontro do luar.

Sim amor, nada mudou. Tudo está em seu lugar. 

13.7.11



Fiz de ti o meu rei. Dei-te o coração como ceptro. E como trono o meu corpo para te reclinares cada vez, todas as vezes, que precisares de mim. Desfolharei flores de todas as cores para forrar o chão que pisas cada vez, todas as vezes, que caminhas para mim. Teci com fios de luz o manto que te dei para te abraçar cada vez, todas as vezes, que te lembras de mim.

Ninguém sabe que és rei, por não seres um rei qualquer. Tens o ceptro do amor, o trono da paixão e o manto da temperança. Só tu, só eu. Somente tu e eu e este amor que nos sustenta e nos agarra e nos prende a este lado da vida.

18.5.11


hipnotizas-me , por completo.

uma estrela cadente caiu do teu coração e desembarcou nos meus olhos.
gritei em voz alta, enquanto ela os rasgava. deixou-me cega. sem reacção.
as estrelas, a lua, todas elas explodiram.
deixaste-me no escuro. onde não há madrugada, não há dia.
e eu estou sempre neste crepúsculo: - na sombra do teu coração
- tudo isto para chegar á conclusão que amar-te é, por vezes, muito perigoso
.

17.5.11


o sol brilhava, quente e silencioso, em pleno inicio de tardar.
o vento teria adormecido.
e os cheirinhos caractarísticos das flores perfumavam toda aquela ilusão.
ela procurava. procurava dançando um amor que a quisesse.
seu primeiro nome era Maria,
rapariga forte e sem qualquer mania.
era simples e florida.
somente sorria,
e jamais seria fria.
ela aquecia,
tudo o que ninguém queria.
ela queria,
a mais bela periferia.
determinada,
e nada odiada,
construía
em função do seu guia.

teu olhar quer distância,
meu corpo a tua fragância.

15.5.11


a música absorve o meu subconsciente enquanto observo, com atenção, cada simples movimento. cada fechar de olhos. cada respirar de ar. cada traço teu.  essa tua serenidade habitual inquieta o meu simples coração. no que estarás a pensar ? o que estarás a sentir ? gostaría de compreender afincadamente cada gesto. cada promenor que vagueia na tua mente.
em ti. 

14.5.11


deixei tudo para trás sem me importar com a relevância dos objectos nessa tarde. passeava com o sentido literal da palavra, de ouvidos tapados e boca quase cozida, sem que o ar gelasse a minha garganta nem a minha alma.  o sol brilhava, ou provavelmente o céu chorava, não me lembro. sei que apressei o passo, quando, no fundo da rua, algo brilhava. era o teu sorriso . o pulsar do teu coração. mas, e como sempre, resolveste seguir outra direcção, ignorando a minha presença, a luz do teu próprio coração.    -adp.

12.5.11


foram tantas as vezes que pronunciei o teu nome . vezes suficientes até ser capaz de ficar gravado na minha alma  . meu amor, consegues perceber essa cicatriz ?

9.5.11


sentir e nao mentir, sentir e querer ficar ,
- devia ser este o teu lema.

'' doi-me o peito por o meu corpo estar a tentar falar uma língua que a minha cabeça não comprende'' - isto foi o que me disseste.
porém, continuas a ter um ar falsamente sincero...   -

observei-o. estava junto à orla da floresta, no sítio onde as árvores começaram a rarear e cheirei o ar: eram, na maioria, os cheiros mortos daquela altura do ano. porém, de vez em quando, a brisa intermitente trazia até mim o seu perfume, entoando noutra língua recordações de uma vida noutra forma. o seu rosto estava voltado para as árvores, mas eu estava invisível, intangível, reduzida a uns simples olhos. eu era apenas um fantasma naquela floresta: silenciosa, imóvel, fria.
ele suspirou várias vezes e, por fim, saiu a correr sem destino prévio. e eu estava ali, quase ao alcance dele, mas a milhares de quilómetros de distância.
 ''  -ms

7.5.11


trepamos as raizes que construímos juntos, por um raio de luar.
 
   O telémovel estava a tocar. foi a primeira coisa que pensei. a segunda foi que o braço nu do Jasm estava sobre o meu peito. a terceira foi que o meu corpo estava frio no sitio aonde os cobertores não chegavam . pestanejei para tentar acordar, estranhamente desorientada no meu próprio quarto. demorei algum tempo a perceber que o mostrador geralmente brilhante do meu despertador estava ás escuras e que as únicas luzes que haviam eram a do luar que entrava pela janela semi-aberta e a do ecrã do telemóvel a tocar. Pus uma mão de fora para lhe pegar, tendo o cuidado de nao perturbar o braço do Jasm sobre o meu corpo; e quando finalmente consegui agarrar-lhe, este já tinha parado de tocar. restou: uma chamada não atendida. os meus olhos mal conseguiam ver qual o nome do autor desta barulheira toda, estavam demasiados cansados para tal, e eu, pouco me preocupei. tornei a puxar cuidadosamente os cobertores e descobri-o aninhado em mim, com a cabeça encostada ao meu lado e apenas a curva pálida e nua dos seus ombros visível sob a luz ténue que nos iluminava.
Estava constantemente a querer achar aquilo errado: o seu corpo encostado ao meu, mas sentia-me tão viva que o meu coração batia descompassadamente. era isto, o Jasm e eu, a minha verdadeira vida.
   Na manhã depois de eu e o Jasm termos contemplado a noite juntos, parecia que a ideia que dominava o meu estado de espirito era que os nossos pais não faziam a menor ideia. achei que era normal. achei que era normal sentir-me um pouco culpada. achei que era normal aquela sensação de vertigem. era como se sempre tivesse pensado que eu era um quadro completo, e o Jasm me tivesse revelado que afinal eu era um puzzle e me tivesse separado em inúmeras peças , e voltando a juntá-las. Estava profundamente consciente de cada emoção diferente que sentia, todas elas perfeitamente encaixadas umas nas outras. Jasm também estava em silêncio. tinha deixado que fosse eu a guiar e segurava a minha mão direita entre as suas, enquanto eu guiava com a outra. era capaz de dar um milhão de euros para saber o que ia a pensar.
- o que queres fazer hoje à tarde ? - perguntei por fim.
Ele olhou pela janela, deslizando os dedos pelas costas da minha mão. o mundo lá fora parecia seco, feito de papel. olhou na direcção dos meus olhos e sussurrou:
- amar-te !   ''             
                                                                                                                -  [m.s]

4.5.11



decoras todos os meus traços,
mas eu sei de cor todo o teu perfil .

sei que esperas que o vento traga as tuas certezas, que o silêncio decida por ti . e até lá esperas e não te aplicas. os meus olhos estão prestes a fechar, o meu corpo está cansado e o meu coração, desgastado. e é através dos rascunhos amontoados nas gavetas que começo a perceber que pouco sei da tua personagem. e àquilo que pensava ser verdadeiro, tu provaste literalmente o seu contrário.
tu inquietas a minha alma. activas a minha ansiedade e metes á prova a minha sensibilidade . tudo porque és o código mais complicado e exaustivo de descodificar. foges à tua trajectória inicial . mas eu fico aqui, a fazer-me amar por ti, até que o meu coração interfira no teu.

3.5.11


E se eu perdesse a memória, conquistar-me-ias todas as manhãs?  ''  -
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a perdição
que lhe atormenta,
é a desilusão
que ela enfrenta.

1.5.11


a decisão está na tua mão.
será cara ou coroa?
será uma questão de sorte?
ou será apenas o revelar do teu amor?
amanhã, espero que sejas o meu suporte,
amanhã, espero pela melodia, pelo teu coração.
espero por ti.